por GodOfTrively Guias de viagem

Onde comer em Paris: os melhores sítios

Dos bouillons ao falafel do Marais, passando pelas crêpes: o percurso gastronómico de Paris com os sítios a que se volta vezes sem conta.

Corre pelo mundo um mito muito repetido: que comer em Paris é caro. Não é verdade, e a prova são os milhões de parisienses que todos os dias comem nos bouillons, nas boulangeries, nos mercados e nas crêperies de bairro. A questão é que Paris recompensa quem sabe para onde vai. Se vais à cidade a sério, o roteiro completo tens-no no nosso guia de viagem a Paris. Este serve para isto: o percurso gastronómico por zonas que voltaríamos a fazer, com os sítios recomendados por metade da Internet e, sobretudo, os que os locais usam de verdade.

Nota rápida sobre a cozinha parisiense: caracóis, sopa de cebola, boeuf bourguignon, confit de pato e crème brûlée são os clássicos a provar; os bouillons (as históricas cantinas da classe trabalhadora) são a melhor porta de entrada, e sim, o falafel do Marais é Paris tanto quanto a Torre Eiffel. Se não provaste nada disto, a melhor parte da viagem ainda está para chegar.

O bairro Le Marais: o bairro que se come sozinho

L’As du Fallafel — a fila que compensa

Na Rue des Rosiers, no coração do bairro judeu, está o quiosque de falafel mais famoso do Marais… e com razão. Pedes o fallafel spécial (com beringela, húmus, couve e molho tahini, cerca de 8-9 euros), pegas na pita, atravessas duas ruas e comes sentado na Place des Vosges: um dos melhores almoços-piquenique da cidade. A fila pode assustar à primeira vista, mas avança depressa. Aviso para evitares desilusões: aos sábados está fechado, e se não quiseres esperar, vai ao Chez Hanna, 20 metros mais à frente, que muitos locais preferem.

Marché des Enfants Rouges — comer no mercado (desde 1615)

O mercado coberto mais antigo de Paris é o plano perfeito para um almoço sem stress: bancas marroquinas, japonesas, italianas, libanesas… escolhes duas ou três, partilhas a mesa com desconhecidos e provas um pouco de tudo por pouco dinheiro. Bons preços, clima de mercado de bairro e mesas partilhadas onde acabas a falar com qualquer um sobre qualquer coisa perante algo de bom.

Marché des Enfants Rouges, o mercado coberto mais antigo de Paris

Breizh Café — as verdadeiras galettes bretãs

Se queres provar verdadeiras crêpes (ou melhor: as salgadas galettes de trigo sarraceno), o Breizh Café é o templo. Massa, queijo, manteiga Bordier… qualidade de restaurante com estrela ao preço de uma crêperia. Atenção: a sala é minúscula e enche, por isso reserva se puderes. Na sobremesa, a crêpe de caramelo com manteiga salgada é uma obrigação a não saltar.

O bairro Grands Boulevards: os bouillons, a grande lenda barata de Paris

Bouillon Chartier (Grands Boulevards)

O Bouillon Chartier de Paris, bistrot histórico desde 1896

Já te falámos dele no guia de Paris e repetimos: o Bouillon Chartier é a experiência parisiense por excelência. Sala histórica de 1896, empregados de avental que anotam o pedido na toalha de mesa e cozinha francesa clássica (sopa de cebola, caracóis, boeuf bourguignon, pato…) a partir de poucos euros. A fila é famosa, mas avança depressa, e ainda por cima está aberto todos os dias sem reserva: é o jantar barato infalível da cidade.

Bouillon Pigalle — o irmão moderno (e ideal depois de Montmartre)

A mesma filosofia do Chartier, mas em versão século XXI: o Bouillon Pigalle, ao lado do Moulin Rouge e a um tiro de pedra de Montmartre, serve cozinha francesa tradicional a partir de 5-6 euros por prato. É o sítio perfeito para descer do Sacré-Cœur e fechar o dia sem te arruinares. Come cedo ou tarde, mas não saltes a crème brûlée.

Interior do histórico Bouillon Chartier em Paris

Capítulo doce: crêpes, waffles e desejos

La Crème de Paris — o desejo de crêpe sempre resolvido

No capítulo doce continuamos a recomendar a La Crème de Paris: crêpes e waffles com estilo por toda a cidade, perfeitos para o desejo no regresso do monumento. Sim, é uma cadeia, mas das boas, com locais centrais e porções que justificam a caminhada. Waffles com chocolate… não digo mais nada.

Crêpes da La Crème de Paris

Du Pain et Des Idées — a pura boulangerie tradicional

Não podemos sair de Paris sem provar o seu ícone mais representativo: o croissant. Apostámos no Du Pain et Des Idées. Uma das boulangeries mais clássicas do Marais, onde o croissant fermenta 30-36 horas. E nota-se: folhas crocantes e amanteigadas por fora, miolo macio por dentro e cheiro de manteiga verdadeira.

Croissants da boulangerie Du Pain et Des Idées em Paris

Conselhos para comer em Paris sem te arruinares

  • A «formule» ao almoço é o truque. Quase todos os restaurantes oferecem nos dias úteis o menu do dia (entrada + prato principal + sobremesa por cerca de 15-20 euros). É a mesma refeição que à noite custa o dobro.
  • O jambon-beurre da boulangerie. A baguete com manteiga e presunto da padaria do bairro é, a par do croissant, a melhor relação qualidade-preço da cidade. Se a fila da manhã está cheia de franceses, acertaste no sítio.
  • A água da torneira é grátis. Pede «une carafe d’eau» e esquece as garrafas pagas.
  • O café ao balcão custa metade do que sentado na esplanada. E se não deixares gorjeta, não há drama: o serviço está incluído.
  • Afasta-te duas ruas do monumento. Os restaurantes em frente à Torre Eiffel, ao Louvre ou aos Champs-Élysées pagam rendas que depois pagas tu. Não confies no menu em seis línguas: procura a fila onde se fala francês.

Como encontrar a tua mesa com o Trively

E, como sempre, a confissão: não vai parar ao papel. Levamos o Trively com a lista do que comer na viagem guardada por bairros, aberta exatamente no momento em que íamos comer, e sem discussões do tipo «então, o que é que há aqui?». Olha: a ponte arrefecia, mas o falafel ainda estava quente.

Comer em Paris é um exame que se passa com nota máxima se souberes para onde ir. Guarda este guia, convida o grupo para o plano e que cada um escolha o seu bouillon. Bon appétit!

Preços e horários mudam com frequência: verifica nos sites oficiais antes de partir.