por GodOfTrively Guias de viagem

Guia de viagem a Londres: 10 imperdíveis para ver e fazer

Guia de viagem a Londres com tudo o que gostaria de ter sabido antes de ir: como chegar do aeroporto, o transporte, os ícones de Westminster, os museus gratuitos, os mercados e os melhores bairros.

Londres é enorme e, para a primeira viagem, pode esmagar: é preciso escolher. Mas se se cingir ao essencial —o percurso do rio, os museus gratuitos, os mercados e os bairros com caráter— a cidade torna-se de repente manejável e até íntima. Aqui tem o que eu faria numa primeira visita, com os transferes do aeroporto, o transporte, os ícones e os recantos que enganam as pessoas: um lugar que parece só turístico e esconde vida local a duas ruas. Este é o meu guia de viagem a Londres.

1. O dinheiro: Londres é cara, mas pode jogar-se com vantagem

Londres usa a libra esterlina (£) e é uma das cidades mais caras da Europa, sobretudo em hotel e restaurante. A estratégia não é deixar de fazer nada, é escolher: muitos dos melhores planos da cidade são gratuitos, os mercados de comida permitem comer bem por menos de um gastrobar, e o transporte fica muito razoável com o cartão sem contacto.

Leve um cartão ou Oyster recarregável para o transporte (mais abaixo), pague com cartão sem comissões onde puder e reserve os dois ou três planos «caros» que de facto lhe apetecem (o London Eye, uma peça de teatro, um chá da tarde). Com isso, Londres pesa menos no bolso e disfruta-se na mesma.

  • Os museus estatais com entrada gratuita são a joia económica da cidade.
  • Comer nos mercados (Borough, Camden) ou num pub ao meio-dia baixa muito a média.
  • Cuidado com o preço do quarto: procure zonas com bom metro (linhas noturnas) para poupar.

2. O idioma: inglês, „Cheers“ e a cortesia que abre portas

O idioma é o inglês, e é dos poucos sítios da Europa onde não é preciso dar explicações: toda a gente o fala, embora com aqueles sotaques e palavras locais que baralham no início. Aprenda o básico da viagem: „Cheers“ (obrigado ou saúde), „Sorry“ (perdão, essencial no metro), „Sorted“ (resolvido, em ordem) e „You alright?“ (o «tudo bem?») como resposta universal.

Na hotelaria, o inglês fala-se com total naturalidade; nos mercadinhos e nos pubs de bairro, um «cheers» e um sorriso fazem maravilhas. E se anda por aí com essa história do bolo, saiba que o «tea» diz tudo: do chá das cinco ao «builder’s tea» da obra, aqui o idioma anda de mãos dadas com as chávenas.

3. Do aeroporto ao centro: Heathrow e Gatwick por ordem

O grande aeroporto é Heathrow (LHR), a cerca de 25 km a oeste. As melhores opções para o centro: a Elizabeth line (comboio rápido, cerca de 30-40 min, com Oyster custa cerca de 7-8 £), o Heathrow Express (o comboio sem paragens até Paddington, 15 min, mas dos mais caros) e a linha Piccadilly do metro (a económica, 50-60 min, 5-6 £ com Oyster).

Se chegar a Gatwick (LGW), a sul, tem o Gatwick Express direto a Victoria (~19 £, 30 min), o comboio Thameslink (mais barato e vai até ao leste da cidade) e o autocarro National Express. O metro de Londres (a tube) é fácil de usar desde o primeiro minuto: as linhas têm cor, as estações anunciam o «mind the gap» e com o cartão sem contacto não precisa de bilhete físico.

4. Como circular: o cartão sem contacto e passear pelo rio

O segredo do transporte londrino é o cartão sem contacto (Oyster ou o seu cartão bancário com NFC): paga a viagem (com um limite diário que torna as viagens seguintes quase grátis), serve para o metro, o autocarro, o comboio e até os barcos do rio, e recarrega-se em qualquer máquina. Os autocarros vermelhos de dois andares custam um pouco menos e dão a melhor vista da cidade desde o primeiro lugar de cima.

E o plano que não falha com bom tempo: o passeio pelo South Bank (a margem sul do Tâmisa), do London Eye ao Tower Bridge, descendo pelo rio. Pelo caminho: a Tate Modern, a ponte do Milénio e os mercadinhos fluviais. É a forma mais bonita (e gratuita) de «entender» Londres numa tarde.

  • O limite diário (cap) da Oyster faz com que, a partir da 4.ª ou 5.ª viagem, já não descuente mais.
  • Os autocarros não aceitam dinheiro: só cartão sem contacto ou Oyster.
  • As bicicletas Santander (as «Boris bikes») são baratas para troços curtos e muito londrinas, embora as subidas sejam poucas.

5. Os ícones: Westminster, o Big Ben e o South Bank

O passeio obrigatório começa em Westminster: o Big Ben e o palácio de Westminster (o Parlamento), a abadia de Westminster (onde se coroam os reis) e a estação com o mesmo nome veem-se todos em 10 minutos a andar. Depois atravessa o rio e ali está o London Eye, a roda gigante que dá as melhores vistas do centro (se o preço ajudar, vale a pena ao pôr do sol).

E já no chão, espera-o o passeio pelo South Bank: a sala de concertos, as vistas para o outro lado e, mais rio abaixo, a Tate Modern (arte moderna, gratuita) e a ponte do Milénio que a liga à catedral de São Paulo. O plano perfeito: Westminster de manhã, British Museum a meio da manhã, South Bank à tarde e o Tower Bridge ao fundo.

O Big Ben e o palácio de Westminster, o ícone de Londres.
O London Eye, a roda gigante sobre o rio Tâmisa.

6. A City e o Tower Bridge: a história entre os arranha-céus

No extremo este do passeio está o Tower Bridge, a ponte levadiça azul que toda a gente fotografa, e ao lado, a Torre de Londres: o castelo medieval com as joias da coroa (filas: reserve horário). Ao lado, a City, o distrito financeiro, esconde entre arranha-céus recantos históricos como o embarcadouro de Barbican ou o mercado de Leadenhall, o dos filmes de Harry Potter.

E muito perto, um plano de comida imperdível: o Borough Market, o mercado de alimentos mais bonito de Londres (queijos, presuntos, bancas quentes e sanduíches lendárias). Abre durante a semana, mas o sábado é quando tem mais ambiente: vá a meio da manhã antes de as filas explodirem.

O Tower Bridge com o skyline da City ao fundo.

7. Os museus gratuitos: o Museu Britânico e a National Gallery

Uma das grandes vantagens de Londres: os museus estatais são gratuitos (embora agradeçam doações). O Museu Britânico (British Museum) é o imperdível: a Pedra de Roseta, o friso do Parténon e as múmias egípcias, tudo numa tarde se for pela rota mais curta. Ao entrar, apanhe o plano e escolha as três salas que de facto quer ver.

Na Trafalgar Square tem a National Gallery (Van Gogh, Turner, os impressionistas) a um passo da National Portrait Gallery. E em South Kensington arrastam-se os museus de ciências e história natural, perfeitos com crianças ou de tarde: o esqueleto de baleia do de história natural é tão bruto como parece. Cuidado com o horário: muitos fecham às 17-18h, por isso comece cedo.

O Grande Pátio do Museu Britânico de Londres.

8. Os bairros: Covent Garden, Soho, Camden e Notting Hill

Para o plano de tarde e noite, Covent Garden é o centro animado com o mercado de teto de vidro, artistas de rua e teatros à volta; Soho, ao lado, é o bairro da farra, dos bares e da melhor comida internacional. Camden Town é o mercado alternativo (punk, vintage e comida do mundo colada ao canal), um plano caótico e divertidíssimo.

O mercado de Covent Garden, o centro animado de Londres.

Para o bairro de postal, Notting Hill e a sua Portobello Road: casas de cores (as do filme), antiquários e o mercado dos sábados. É a zona mais fotografada da cidade depois de Westminster, e com razão: a volta às ruas coloridas de Shoreditch ou os cais do East End (os cais de leste) completam o lado mais artsy de Londres.

A fachada decorada do Electric Cinema em Portobello Road, Notting Hill.

9. Os parques e Greenwich: verde e o meridiano zero

Londres tem os maiores parques das capitais europeias, e é preciso usá-los: o Hyde Park e os Kensington Gardens no centro, o Regent’s Park a norte e os jardins junto ao rio. Com sorte e um pouco de sol, um piquenique num deles «é» Londres tanto como o Big Ben.

E uma excursão de meia tarde pouco conhecida: Greenwich, a sudeste, com o seu parque, o observatório real sobre o meridiano zero e as melhores vistas do skyline da City lá de cima. Chega-se no metro Jubilee ou de barco pelo Tâmisa desde Westminster ou do London Eye: o passeio de barco é o «tour do rio» barato que mais vale a pena.

10. Comer: do pub ao afternoon tea

A comida londrina tem mais nível do que a fama deixa supor. A lista base da primeira viagem: um pub tradicional com fish and chips ou o Sunday roast (assado de domingo), um pequeno-almoço inglês (ovos, bacon, feijão e salsichas) e o afternoon tea com sandes sem côdea e bolinhos, o ritual inglês por excelência.

Para comer étnico, Londres é um continente inteiro: os curries de Brick Lane (a rua dos curries do East End), o bonito mercado de Borough para petiscar, as bancas de Camden ou a zona de Brixton com comida do mundo. E para beber, o pub com a sua caneca e o seu «cheers»: não é preciso mais para se sentir (quase) local.

E até aqui o meu guia de viagem a Londres. Com os ícones de Westminster, o passeio do South Bank, os museus gratuitos, Covent Garden ao lusco-fusco e um pub com a caneca do costume, leva a cidade em boas condições: de rio, museus, mercados e gente a sorrir com o eterno «sorry». Boa viagem e muito cuidado com o «mind the gap».