Guia de viagem a Berlim: 10 imperdíveis para ver e fazer
Guia de viagem a Berlim com tudo o que gostaria de ter sabido antes de ir: como chegar do aeroporto BER, como circular, o Portão de Brandemburgo, a cúpula do Reichstag, a East Side Gallery e a Fernsehturm.
Berlim não é bonita no sentido de postal, e é por isso que prende: é uma cidade para se perceber, com o peso da história em cada esquina e uma energia cultural que poucas capitais podem ter. O meu conselho antes de ir: não tentes vê-la toda em três dias —não se pode e não se deve—, faz o Portão de Brandemburgo, a cúpula do Reichstag e a East Side Gallery, e deixa-te tempo para te perderes num bairro. Aqui tens o meu guia de viagem a Berlim com os imperdíveis, ponto por ponto.
1. O dinheiro: o euro, o cartão e a generosidade alemã
Berlim usa o euro e quase tudo se resolve com cartão, com uma particularidade: nem todos os sítios pequenos aceitam cartão sem discussão, por isso leva algum numerário. Um café, um currywurst, um bilhete de metro: com 50-60 € na carteira tens a cidade no bolso para o primeiro dia, porque os preços são dos mais razoáveis das grandes capitais europeias.
E o costume local: a gorjeta. Não esperam uma percentagem fixa, mas arredondar a conta (ou deixar 10% se o serviço foi bom) agradece-se e faz-se em quase todos os restaurantes. Isto sim, paga com cartão sem problema; o numerário fica reservado para as bancas de rua e alguns bares antigos do leste.
- Cartão contactless para o dia a dia e algum numerário para o mercado e os bares pequenos.
- Gorjeta: arredonda ou deixa 10% se o serviço foi bom; no bar, deixa-se algo ao pagar.
- A água não é servida grátis nos restaurantes: pede-a engarrafada ou com gás (muito típico).
2. O idioma: alemão cá e lá, com o inglês pelo meio
No centro e nos locais turísticos o inglês fala-se sem problema, e os museus e aplicações de transportes estão em inglês. Mesmo assim, um par de palavras em alemão resulta muito bem nos mercados e nos bares de bairro: „Danke schön“ (muito obrigado), „bitte“ (por favor / de nada) e „hallo“ (olá).
Vais cruzar-te também com duas palavras inseparáveis da experiência berlinense: „Gemütlichkeit“, aquela sensação de estar à vontade num sítio caloroso, e a omnipresente „Kaffee und Kuchen“ (café e bolo), um dos planos preferidos da cidade à hora do chá.
3. Do aeroporto ao centro: em 30 minutos e sem surpresas
O aeroporto de Berlim-Brandemburgo (BER) fica a sudeste da cidade, e a ligação ao centro é fácil e rápida: o comboio regional (FEX, RE ou RB) parte de poucos em poucos minutos até à Estação Central (Hauptbahnhof, Hbf) em cerca de 25-35 minutos. O bilhete custa cerca de 4,40 € (zona ABC) e tira-se nas máquinas do terminal ou com o cartão contactless.
Alternativa para viajar com bagagem ou em grupo: o táxi ou Uber, a cerca de 40-60 € conforme o trânsito. Se o teu hotel for na zona este (Friedrichshain, Alexanderplatz), o FEX deixa-te mesmo onde queres em menos de meia hora. E um conselho: compra já o passe de transportes para todos os dias, porque o bilhete do aeroporto é o mesmo sistema que vais usar toda a visita.
4. Como circular: U-Bahn, S-Bahn, elétrico e um bom passeio
A rede de transportes públicos de Berlim é das melhores da Europa: metro (U-Bahn), comboio urbano (S-Bahn), elétrico e autocarros que cobrem toda a cidade. O sistema de zonas é simples —a zona AB cobre o centro e quase todo o turístico— e um bilhete simples custa cerca de 3,40 €; um passe de 24 h, cerca de 9 €, e dá para o dia inteiro.
Berlim é além disso muito andável: o eixo da Unter den Linden, o Tiergarten e o bairro de Mitte percorrem-se a pé e sabem melhor a andar. O elétrico domina na parte oriental (onde antes não havia metro) e as suas linhas mais famosas, a 100 e a 300, passam por um monumento atrás do outro e permitem fazer sightseeing com bilhete normal: o truque dos locais.
- A zona AB serve para quase tudo; a ABC só para o aeroporto e Potsdam (bilhete à parte).
- Valida o bilhete nas máquinas amarelas das estações: a fiscalização é surpresa, mas a multa é de 60 €.
- A linha U2 liga Alexanderplatz, Potsdamer Platz e o Portão de Brandemburgo: perfeita para o primeiro dia.
5. O Portão de Brandemburgo e a Praça de Paris
O Portão de Brandemburgo é o símbolo absoluto de Berlim: o antigo portão de entrada da cidade transformado em palco da história —das marchas de Napoleão à queda do Muro—. Fica na tranquila Praça de Paris (Pariser Platz) e é melhor visitá-lo cedo ou ao anoitecer, quando a iluminação dourada o faz brilhar sobre o bulevar da Unter den Linden.
Do portão, em cinco minutos a pé chegas ao Memorial aos Judeus da Europa (o Mahnmal), esse mar de estelas cinzentas que se percorre em silêncio, e no outro sentido ao Reichstag. É a zona com mais história por metro quadrado da cidade e pode fazer-se toda a pé.

6. O Reichstag e a sua cúpula: grátis, mas com reserva
O Reichstag, o parlamento alemão, oferece um dos melhores planos grátis de Berlim: subir à cúpula de vidro de Norman Foster, com a sua famosa espiral de espelhos e vistas de 360° sobre todo o centro. A entrada é gratuita, mas é preciso reservar online com antecedência no site do Bundestag; à porta sem reserva, quase sempre, não entras.
O edifício conta ainda a última página da história alemã: reconstruído depois da guerra, foi o palco da reunificação. A visita guiada com o audioguia (grátis) explica tanto a arquitetura como o que se vê lá de cima: o portão, o Tiergarten e os edifícios do bairro governamental.

7. O Muro, a East Side Gallery e a memória em cada esquina
O Muro de Berlim dividiu a cidade durante 28 anos e hoje lembras-te dele em muitos sítios: o troço mais fotografado é a East Side Gallery, um quilómetro e meio de Muro junto ao rio Spree coberto de graffitis, incluindo o famoso „beijo fraternal“ entre Brejnev e Honecker. É das visitas imperdíveis e percorre-se a pé num instante.
Se quiseres ir um passo além da foto, o Checkpoint Charlie (a antiga passagem fronteiriça, hoje pequeno museu de rua) e a Topografia do Terror (junto a um troço original do Muro, grátis) contam a história com rigor e sem sensacionalismo. E um pormenor que se agradece: em toda Berlim há uma linha de tijolos no chão que marca onde esteve o Muro, para te perderes por cima dela sem dar por isso.

8. A Ilha dos Museus e a Catedral de Berlim
A Ilha dos Museus, no coração do Spree, é Património Mundial e uma das concentrações de arte mais importantes do mundo: o Pergamon —com a monumental porta de Ishtar e o mercado de Mileto—, a Alte Nationalgalerie, o Bode e o Neues Museum. Se a história antiga te atrai, o Pergamon vale a pena, sem comparação.
No mesmo eixo fica a Catedral de Berlim (Berliner Dom), uma cúpula imponente que se pode subir por umas escadas em caracol até ao terraço do tambor, com as melhores vistas do centro e do rio. Lembra que muitos museus da ilha pedem reserva de franja horária em época alta, e que o bilhete combinado compensa se visitares mais do que um.

9. Alexanderplatz e a Fernsehturm: os pontos de referência
A praça mais conhecida do leste de Berlim é a Alexanderplatz: a Torre de Televisão (Fernsehturm) de 368 metros, o edifício mais alto da Alemanha, preside à praça e o seu miradouro com esfera giratória dá as vistas mais famosas da cidade. Com o bilhete do miradouro (cerca de 15 €) podes subir e, se quiseres, jantar no restaurante giratório da esfera: caríssimo para a comida, mas a vista não tem preço.
A dois passos fica a Prefeitura Vermelha (Rotes Rathaus) e o recanto reconstruído da Nikolaiviertel, a paragem ideal para um café quando se faz tarde. Para o céu, madruga ou vai ao pôr do sol: a meio da tarde as filas dão a volta ao quarteirão e a vista perde parte da magia.

10. O Tiergarten e os planos de bairro: currywurst, döner e mercados
O Tiergarten é o grande pulmão verde do centro: uma extensão enorme com a Coluna da Vitória (Siegessäule) no coração e lagos, jardins e caminhos enormes. De bicicleta ou a pé, atravessá-lo de ponta a ponta (30 minutos a bom ritmo) é a melhor maneira de respirar entre tantos museus.
E para comer, não te vás embora sem o de sempre: o currywurst (a salsicha com molho de curry e ketchup que aqui é quase religião), o döner —Berlim popularizou-o na Europa— e a street food mundial da Markthalle Neun, em Kreuzberg, com o seu famoso mercado dos sábados. Se preferires o plano local, um café de tarde com bolo no leste (Friedrichshain) ou um passeio pelos mercados de rua não tem erro: há cidade de sobra, só tens de escolher o recanto que te chame.

E até aqui o meu guia de viagem a Berlim. Com a reserva da cúpula do Reichstag, um passeio pela East Side Gallery, a Fernsehturm e uma hora de bairro, levas a cidade a sério, não só as estampas. Berlim entende-se melhor com as pernas do que com um mapa: a andar nota-se onde esteve o Muro, como a história discute com o presente e porque é que as pessoas custam tanto a ir embora. Boa viagem!