por GodOfTrively Guias de viagem

Guia de viagem a Amesterdão: 10 imperdíveis para ver e fazer

Guia de viagem a Amesterdão com tudo o que gostaria de ter sabido antes de ir: como chegar de Schiphol, como circular, os canais, o Rijksmuseum, a Casa de Anne Frank e o Vondelpark.

Amesterdão tem essa magia das cidades que não se explica numa foto: os canais, as bicicletas, as pontes e aquela luz dourada das tardes de primavera. Uma semana pode ficar curta, mas com três ou quatro dias bem aproveitados vê-se o essencial e dá tempo de sentir como se vive mesmo. Ordeno aqui o que gostaria de ter tido claro antes de ir: como chegar, como circular, que museu reservar cedo e, sobretudo, em que esquina se está bem. Este é o meu guia de viagem a Amesterdão, ponto por ponto.

1. Primeiro: o euro e o cartão, mas com um par de avisos

Boas notícias: em Amesterdão paga-se em euros, tudo se faz com cartão e o numerário quase sobra. Em supermercados, farmácias e até nos cafés mais pequenos, o cartão contactless funciona em todo o lado. Aliás, há sítios que só aceitam cartão (os supermercados Albert Heijn aceitam numerário, mas muitas lojas pequenas não).

O único contratempo que pode acontecer: alguns cartões estrangeiros não funcionam com PIN nas caixas multibanco holandesas e em certos terminais de pagamento pedem PIN em vez de assinatura. Se o seu banco lhe dá um cartão que funciona com PIN sem problema, ótimo; se não, leve um pouco de numerário além do cartão. E atenção às comissões: um cartão sem comissões no estrangeiro poupa-lhe uns euros que se gastam melhor em poffertjes.

  • O cartão contactless é quase universal; leve algum numerário por precaução.
  • Evite as casas de câmbio do centro: os câmbios são maus. Levante em caixas do banco ou pague com cartão.
  • Em lojas pequenas, veja se aplicam arredondamento ou taxa por numerário (cada vez mais comum).

2. O idioma: o inglês leva-o a qualquer lado

Não é preciso saber neerlandês: quase toda a gente fala um inglês impecável, e nos transportes, museus e restaurantes vão atendê-lo sem problema. Os menus têm versão em inglês e as aplicações oficiais de transportes estão em inglês.

Mesmo assim, três palavras abrem sorrisos: „dank je wel“ (obrigado), „alstublieft“ (por favor / de nada) e „hallo/hoi“ (olá). E um conselho que verá repetido em todo o lado: lê-se Amesterdão com o primeiro «a» aberto, não fechado.

3. Do aeroporto ao centro em 20 minutos

O aeroporto de Schiphol fica a 17 km do centro e a sua ligação é das melhores da Europa: um comboio direto (NS) que em 15-20 minutos o deixa na Estação Central. Os bilhetes tiram-se nas máquinas da entrada ou diretamente pagando com o cartão contactless nos portões, e custam cerca de 5,60 € por viagem.

Alternativas: o autocarro 397 (Amsterdam Airport Express) para as zonas sul e o Museumplein, ou um táxi/Uber quando viaja com muita mochila, por volta de 45-60 € conforme a hora e o trânsito. Conselho extra: compre o cartão OVpay (ou toque no telemóvel com NFC nos validadores) assim que chegar, porque é o mesmo que vai usar nos transportes.

A Estação Central de Amesterdão, ponto de chegada do comboio de Schiphol e porta do centro.

4. Como circular: bicicleta, elétrico e o ferry grátis

Amesterdão é a cidade das bicicletas: há mais bicicletas do que pessoas e a bicicleta é o transporte do dia a dia. Como turista pode alugar uma (as lojas junto aos canais abundam), mas para uma primeira visita a solução mais prática é combinar a pé + elétrico + metro + os ferries gratuitos atrás da Estação Central.

Todo o transporte público se paga com o mesmo cartão ou telemóvel com NFC (sistema OVpay): sobe ao elétrico ou metro, valida ao entrar e volta a validar ao sair; o valor calcula-se por quilómetro. Para dias soltos, um passe de 24h (8,50 €) ou 48h compensa se fizer várias viagens.

  • O anel de canais, o Jordaan e o Museumplein percorrem-se a pé: é a melhor forma de olhar para cima.
  • O elétrico é rápido e pontual; os autocarros noturnos cobrem o resto.
  • O ferry grátis atrás da Central atravessa o IJ para norte: vistas lindíssimas ao pôr do sol e grátis.

5. O anel de canais, o coração do século XVII

O anel de canais do século XVII —Herengracht, Keizersgracht e Prinsengracht— é Património Mundial e o plano perfeito de Amesterdão numa imagem. Passeá-lo ao anoitecer, quando as janelas se acendem, é das coisas mais bonitas que pode fazer, e fazê-lo de barco (o passeio nos canais) dá outra perspetiva e um descanso na primeira tarde.

Dentro do anel tem ainda os bairros que se sentem de verdade: o Jordaan com os seus pátios e mercadinhos, as Nove Ruelas (De Negen Straatjes) cheias de lojas de design e cafés, e os mercados junto à Noordermarkt. Um conselho de local: suba a uma ponte perto da Westerkerk e fique um minuto em silêncio a ver como tudo se combina: bicicletas, barcos e luz. É o postal que ninguém lhe conta.

O Herengracht de Amesterdão à hora azul, com as casas do século XVII iluminadas.

6. Rijksmuseum e Museumplein: os imperdíveis da pintura

No mesmo eixo do museu mais famoso do país respira-se arte por todo o lado. O Rijksmuseum tem A Ronda Noturna de Rembrandt, a melhor coleção de mestres holandeses e uma sala dedicada à Idade de Ouro; a entrada custa 22,50 € e convém reservá-la online com dia e hora, porque as filas desse dia dão a volta ao quarteirão.

Logo ao lado está o Museu Van Gogh, com a maior coleção do pintor no mundo —girassóis, quarto em Arles e autorretratos— e uma galeria dedicada à sua influência noutros artistas. Se o tempo não chegar para tudo, faça primeiro um como deve ser e deixe o outro para outra visita: vê-los «aos pares» cansa mais do que parece.

A fachada sul do Rijksmuseum, com o jardim e os arcos neogóticos.
O edifício do Museu Van Gogh, de Kisho Kurokawa, junto ao Rijksmuseum.

7. A Casa de Anne Frank: reserve, reserve, reserve

A Casa de Anne Frank (Prinsengracht 263) é dos museus com mais carga emocional da Europa: o esconderijo real onde Anne escreveu o diário. Entrar é impressionante e muito recomendável, mas há duas regras: os bilhetes só saem online com franja horária e com meses de antecedência, e sem reserva não há lugar. Se não conseguir hora, não faz mal: o próprio Jordaan, onde ela viveu, vale a pena e o museu liberta sempre algumas franjas na semana da viagem.

Para perceber o contexto da perseguição nos Países Baixos, o Museu Nacional do Holocausto, perto da casa, e o monumento dos nomes no Weesperplein completam a história. E uma nota prática: as malas grandes não são admitidas e as escadas do anexo são estreitas e íngremes, por isso deixe a mochila no hotel.

A Casa de Anne Frank junto ao Prinsengracht, no Jordaan.

8. Vondelpark: a sala verde da cidade

O Vondelpark é o parque onde Amesterdão se senta a apanhar sol: famílias, casais, leitores e milhares de bicicletas estacionadas em qualquer relvado. Fica a oeste do Museumplein, entre os museus e o bairro de Oud-Zuid, e é perfeito para uma pausa a meio da tarde ou um brunch improvisado num dos seus dois pavilhões com esplanada.

O parque tem ainda um lago com a sua ponte de madeira, zonas de piquenique gigantes e, no verão, concertos ao ar livre. Atravessá-lo de um lado ao outro (20 minutos tranquilos) leva-o da zona dos museus quase ao centro e, de caminho, evita o vaivém turístico.

O lago do Vondelpark, o parque mais famoso de Amesterdão.

9. A praça Dam e o centro antigo: muito mais que o Bairro Vermelho

O ponto zero é a praça Dam: o Palácio Real, a Nieuwe Kerk (igreja nova), as colunas do Monumento Nacional e uma maré constante de gente. Daí espalham-se as ruas do núcleo antigo, onde convivem o Bairro Vermelho, os mercados de flores (o Bloemenmarkt, o mercado de tulipas sobre os canais) e as ruas comerciais.

Da vida noturna e dos coffeeshops fala-se por sua própria conta, mas como plano turístico recomendo as luzes do centro: suba à torre da Nieuwe Kerk ou a um miradouro sobre o anel de canais, e passeie à noite pelas pontes iluminadas quando a maré do dia se retira. A história da cidade também está aqui: a Amesterdão do século XVII nasceu à volta desta praça.

10. Comer como um local: do arenque ao stroopwafel

A comida de Amesterdão não é alta cozinha, é comida de rua e de bancada com muita graça. A lista curta: o haring (arenque) com cebola e picles, as bitterballen (bolas crocantes de estufado), os poffertjes (mini panquecas doces), as patat (batatas fritas) com molho de amendoim (pindasaus) e o stroopwafel acabado de fazer na banca do mercado.

O sítio para provar tudo numa tarde é o mercado Albert Cuyp, no bairro de De Pijp. Se lhe sobrar um dia e for primavera, o Keukenhof, a 40 minutos de autocarro, é o jardim de tulipas mais famoso do mundo: uma escapada de manhã que se lembra a vida toda. Em qualquer outra estação, os moinhos de Zaanse Schans dão-lhe o postal clássico neerlandês a um quarto de hora.

E até aqui o meu guia de viagem a Amesterdão. Com os transportes tratados, a Casa de Anne Frank reservada com antecedência, um passeio de bicicleta pelos canais e uma tarde no Vondelpark, tem a cidade no bolso. O resto decide a própria Amesterdão: a ponte que lhe calhar, a luz da tarde e o arenque que se atrever a provar. Boa viagem!